ESG


A governança corporativa ingressou em uma nova fase em sua evolução histórica.

Após ter a sua importância reconhecida como sistema de regras formais e informais que buscam harmonizar as diversas relações internas e externas em uma organização para gerar e garantir a sua longevidade, a governança foi reforçada por novas preocupações e mecanismos ao longo de sua resiliente trajetória. Gestão de riscos, controles internos, compliance, essência sobre a forma nas demonstrações financeiras, proteção de dados, entre outras preocupações foram sendo gradativamente adicionadas ao “menu” dos agentes de governança, independentemente do porte, ramo de atuação, estrutura de capital e tipo societário da atividade em questão.

Os princípios da transparência, prestação de contas, equidade e responsabilidade corporativa deixam cada vez mais o campo da generalidade e abstração para ganhar mais concretude nos mecanismos externos e internos de governança, nas ações, projetos e metas das organizações, nos efeitos reais que estas propagam para todos os seus stakeholders. Aos poucos e com mais intensidade neste pandêmico ano de 2020, as organizações são chamadas mais ainda a olhar para seus públicos de interesse, estratégicos e influenciadores. O tema ESG, ja presente nas discussões sobre sustentabilidade empresarial, ganha força e eco nas vozes de relevantes representantes de fundos de investimento, executivos, acadêmicos e reguladores em todo o mundo. A sigla é dita e repetida incansavelmente em todos os meios de comunicação, viralizando nos webinars e nos textos técnicos. A governança não tem mais como ignorar essa nova tendência do chamado “capitalismo de stakeholders”.

Diante desse irresistível movimento, o Ibrademp toma três decisões importantes em relação ao tema: (a) alterar a denominação de sua antiga Comissão de Ética e Governança Corporativa para “Comissão ESG”, alargando e atualizando a sua competência original; (b) modificar a dinâmica dos trabalhos, de forma a termos mais debates multidisciplinares, com visões realistas e provocativas, buscando atrair um grupo de trabalho maior, dedicado e que ambicione discutir essa temática com a construção não só de diálogos mas também de contribuições reais para movimentos regulatórios e autorregulatórios, estudos e demais discussões externas; e (c) manter uma agenda aberta e democrática de temas com uma co-construção junto com todos os seus fieis participantes, buscando uma interação dinâmica e crescente, em uma verdadeira “onda ESG”.

Cláudia Pitta e André Camargo, em nome do Ibrademp e em nome próprio, convidam todos e todas que trabalham, estudam e vocalizam ESG em suas organizações e instituições a participar ativamente da nova Comissão ESG. Venha, participe, convide colegas, divulgue! Que a nova fase da governança seja aquela que consiga aliar legalidade, eficiência e integridade para gerar a tão esperada legitimidade nas organizações!

 

Comissão de ESG

André Antunes Soares de Camargo
Sócio de TozziniFreire Advogados nas áreas de M&A, Corporate e Governança Corporativa.  Pós-doutor em Direito em Governança Corporativa e Empreendedorismo pela Universität St. Gallen, na Suíça, em 2018.  Pós-graduado em Direito Constitucional pela Escola Superior de Direito Constitucional, São Paulo, em 2014. Doutor em Direito Comercial pela USP (Universidade de São Paulo), em 2012. LL.M. em Direito Societário e Contratual pela University of California, Davis, nos EUA, em 2002.  Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie de São Paulo, em 1999.  Atualmente é membro das comissões de Ensino Jurídico, de Direito Empresarial, Penal Empresarial e de Pesquisa e Pós-Graduação da OAB/SP; professor de diversas instituições de ensino pelo Brasil em matérias relacionadas a direito empresarial, governança corporativa e ética; avaliador da Revista FGV Direito SP;  membro dos Conselhos Editoriais das Revistas de Direito Recuperacional e Empresa, da Editora Thomson Reuters e de Direito Societário e Valores Mobiliários (RDSVM), da Editora Almedina Brasil; e membro da Comissão do Congresso Anual do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa).  Foi Coordenador do Insper Direito entre 2002 e 2018; professor visitante da Universidade de St. Gallen, Suíça nos anos de 2006, 2008, 2011, 2016 e 2018; e membro do Conselho Editorial da Revista de Direito Empresarial (REDE), da Editora Revista dos Tribunais de 2013 a 2016.

Claudia Pitta
Sócia da Evolure Consultoria, especializada em Cultura de Integridade, Governança e Compliance. Atuou por 15 anos nos departamentos jurídicos das empresas Shell e Raízen, inclusive como Diretora Jurídica, e em escritórios de advocacia, com ampla experiência em direito societário e M&A, concorrencial, governança corporativa e compliance. É graduada e Mestre em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e possui Executive LLM pela CEU Law School e pós-MBA Advanced Boardroom Program pela Saint Paul Escola de Negócios. É professora de Ética, Governança e Compliance da Saint Paul Escola de Negócios, autora de artigos e palestrante. É, ainda, apoiadora de negócios de impacto social, membro da fundação Women Corporate Directors (WCD) e integrante do Comitê Diversidade em Conselhos, uma iniciativa conjunta do IBGC, WCD, IFC e B3.